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Há força suficiente. Falta retenção

 

Há lugares que me parecem sempre estar a fazer muito mais do que aquilo que mostram.

Não é uma questão de modéstia. É quase uma maneira de estar. Faz-se, trabalha-se, insiste-se, e o reconhecimento chega sempre depois, quando chega. Por aqui, essa lógica é antiga. Quase familiar. E talvez por isso continue tão difícil mudar-lhe o rumo .

Durante anos, habituámo-nos a ver o valor como algo que nasce, cresce e fica. Mas raramente fica. Sai em talento, em margem, em investimento, em oportunidades que se deslocam para outras geografias com uma facilidade desconcertante .

E é aqui que a conversa deixa de ser confortável.

Porque produzir bem nunca foi o problema principal. O problema é outro: como transformar essa capacidade em permanência. Como impedir que aquilo que se cria com tanta consistência acabe por beneficiar mais longe do que aqui .

É uma pergunta que vale para as empresas, para o território e para o país. E vale, sobretudo, para quem ainda acredita que crescer é o mesmo que consolidar.

Não é.

Crescer pode ser apenas uma fase. Consolidar é outra coisa. Exige visão, escala, estratégia e uma certa coragem para deixar de aceitar que o melhor de nós tenha de partir para encontrar mais espaço .

Talvez seja isso que mais me inquieta: a naturalidade com que tantas vezes aceitamos perder o que produzimos.

E, no fundo, talvez seja essa a grande urgência do tempo que vivemos. Não produzir mais por reflexo. Mas aprender a ficar com mais do que criamos .

 

Por: Fabíola Pereira de Sousa - Jornalista

 

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e cabelo louro